Nossa lista traz clássicos e novidades que celebram a diversidade no melhor estilo horror.
Outubro chegou e, com ele, a vontade de maratonar filmes de terror. Eu e meus amigos já estamos nessa corrida, então, decidi escrever uma lista com filmes ótimos para você assistir no Halloween.
Mas que tal fugir do óbvio e assistir a obras que, além de assustar, celebram a diversidade?
Preparei uma lista com sete filmes queer de terror, alguns clássicos, outros cults recentes, que são perfeitos para o mês das bruxas. São histórias que usam o medo para falar de desejo, identidade, corpo e liberdade.
The Rocky Horror Picture Show (1975)
Lançado em 1975, o filme surgiu em um momento em que a comunidade LGBTQIAP+ começava a se organizar de forma mais visível após a Rebelião de Stonewall, em 1969.
A ambiguidade sexual de Frank-N-Furter e a forma como o filme ridiculariza os valores da classe média americana fizeram dele um marco para o movimento queer.
Psicose (1998)
Van Sant não apenas refilmou Hitchcock, ele o “queerizou”. Enquanto o Norman Bates original de Anthony Perkins já carregava uma ambiguidade sexual (Perkins era gay na vida real, mas não assumido), a versão de Vince Vaughn intensifica esse subtexto.
A escolha de Anne Heche, que na época era abertamente lésbica e sofria homofobia explícita em Hollywood, para o papel de Marion Crane, adiciona outra camada de leitura.
Críticos da época notaram que o filme tornava o subtexto homossexual do original “óbvio até o exagero”. É um experimento político sobre como o cinema pode ser reescrito por um olhar dissidente, expondo o que sempre esteve lá, mas foi silenciado.
Garota Infernal (2009)
Quando foi lançado, o filme foi esmagado pela crítica e transformado em piada de mau gosto. A campanha de marketing vendeu a história como um “filme de terror sexy para garotos héteros”, ignorando completamente que se tratava de uma obra sobre amizade feminina, desejo lésbico e a fúria de mulheres que não se encaixam no papel que a sociedade lhes reservou.
Anos depois, com a ascensão do movimento #MeToo, o filme foi redescoberto como um clássico feminista.
E tem uma ótima trilha sonora, confiram:
Morte Morte Morte (2022)
O filme é uma dissecação cruel e deliciosa da chamada “cancel culture” e da política de identidade performática dentro de círculos progressistas.
Os personagens são queer, ricos e hiper-online, mas sua “consciência política” é usada como arma em discussões mesquinhas: acusações de gaslighting, disputas sobre quem é mais oprimido, a linguagem da militância transformada em xingamento.
Swallowed (2022)
O diretor Carter Smith, abertamente gay, faz um filme que se recusa a suavizar a experiência queer para agradar o olhar hétero. O corpo gay aqui não é objeto de desejo, mas de horror: é invadido, explorado, transformado em mercadoria.
Titane (2021)
Alexia/Adrien é um corpo que se recusa a ser categorizado.
Ela não é uma mulher que se veste de homem para se esconder; ela é um corpo queer que transita entre identidades, que não cabe no binário, que existe na fronteira entre o humano e a máquina, o masculino e o feminino.
A teórica Donna Haraway escreveu sobre o “cyborg” como uma figura que escapa às categorias de gênero, Alexia é a encarnação desse conceito.
Eu Vi o Brilho da TV (2024)
A diretora Jane Schoenbrun, que se identifica como não-binária e usa pronomes they/them, construiu o filme como uma alegoria explícita sobre a experiência trans. Owen e Maddy não são apenas adolescentes estranhos: eles são pessoas que existem em um mundo que sistematicamente nega quem são. A série de TV “The Pink Opaque” é o único espaço onde eles se sentem reais, e quando essa realidade é ameaçada, o horror que se instala é o horror da disforia, de ser forçado a viver uma vida que não é sua.