COLUNA

João Pedro Fontes

[ele/dele ; ela/dela]

Nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em

Delcu e Evehive se preparam pro verão com “Citrus Flavor”

Como a dupla transforma o sensorial de frutas cítricas em uma track para esquentar as pistas.

A música eletrônica sempre se afirmou como um território de experimentação, liberdade e refúgio para existências dissidentes. 

No Brasil, a potência da transeletrônica e da cultura queer reafirma a noite e as pistas de dança como espaços místicos de celebração, comunidade e transformação política. 

É dentro desse ecossistema de criação contínua que o [SSEX BBOX] trocou uma ideia completa com Evehive e Delcu para passar a limpo todos os bastidores de “Citrus Flavor”, o novo single da dupla preparado sob medida para a chegada do verão.

A gênese de Citrus Flavor

A criação de uma track de house music ou techno muitas vezes começa de forma pura e intuitiva, onde a narrativa e o sentimento sonoro precedem o próprio título. 

Em “Citrus Flavor”, a colaboração entre Evehive e Delcu nasceu da vontade expressa de entregar um som solar, elegante e com um groove marcante, escapando da densidade habitual e trazendo leveza e movimento para os dance floors.

Durante a conversa com a nossa equipe, Evehive destacou como o processo de batizar a faixa veio após a construção da atmosfera sonora:

“O nome da música foi a última coisa que eu escolhi — inclusive é uma das minhas maiores dificuldades. A música veio primeiro. Quando imaginei o feat com a Duda, pensei em algo mais solar, com timbres mais cítricos de fato e uma coisa mais rara de groove… Meus sons às vezes são mais sérios, densos ou percussivos pro funk, mas com ela eu queria algo elegante. Ouvindo a música repetidamente, ela me remetia a um sabor cítrico, a algo refrescante. Sugeri ‘Citrus’, a Duda adorou e fechou.” — EVEHIVE

A estética sonora ganha vida ao equilibrar o electropop característico e linhas ácidas (com destaque para a clássica simulação de síntese TB-03) a quebras de percussão inspiradas no trap, no house noventista e no trance. 

O resultado é uma jornada dinâmica que conecta o dia e a noite com extrema fluidez.

“A ideia do Citrus passou pelo sentido desses timbres ácidos, mas que ao mesmo tempo trazem algo quase doce em algum lugar. A gente tem esses opostos na música. A Duda e eu combinamos em muitas coisas, e a track fechou perfeitamente tanto esteticamente quanto sonoramente.” — DELCU

A sinergia do projeto também se estendeu à identidade visual, assinada pela designer Joy, parceira habitual de Delcu e amiga de Evehive, traduzindo visualmente em forma de capa a estética vibrante que o som propõe.

A recepção nas pistas, o suporte internacional e os testes de DJ

Antes mesmo do lançamento oficial, a resposta do público e de outros artistas provou o apelo da faixa nas pistas.

 Uma das primeiras a testar o som em primeira mão foi a DJ argentina Anitta, amiga em comum da dupla.

“O primeiro feedback que a gente teve foi da Anitta, nossa amiga argentina. Mandei a track enquanto ela estava em turnê na China, no fuso completamente trocado. Ela só me mandou um ‘amiga, BANG! Eu toquei e a galera enlouqueceu’. Outros amigos produtores, como o Boys Noize, curtiriam e pediram a música.” — DELCU

Para Evehive, que também atua como professor de discotecagem, um dos pontos mais satisfatórios foi ver a reação técnica de seus alunos e a sintonia imediata da pista nos primeiros testes ao vivo:

“Quando você tem a intenção de colocar um sentimento na música e vem outra pessoa e entende exatamente o que você quis fazer, isso é muito f**. Ficou um mude naturalmente sexy. A gente mirou em uma coisa, mas saiu algo muito nosso. A recepção da pista foi incrível, com todo mundo prestando atenção na gente enquanto tocávamos juntos.”* — EVEHIVE

A pista como espaço místico

Muito além da parceria no estúdio, o fato de Delcu e Evehive serem vizinhos facilita a troca de figurinhas e consolida a química em seus apresentações back-to-back (B2B). 

Em um ambiente em que a discotecagem muitas vezes é reduzida à exibição técnica individual, a dupla defende o B2B como um exercício vivo de escuta e generosidade na cabine.

Delcu compartilhou uma perspectiva marcante sobre o papel do DJ no encerramento de um evento e a criação de uma energia coletiva:

“Tocar em B2B é um lugar de escuta. Não é sobre ficar preocupada em qual música eu vou colocar a seguir enquanto o outro toca, mas sim ouvir o que a pessoa colocou, entender por que aquilo bate em mim e responder a partir disso. Existe um lugar místico na pessoa que está no comando da pista: você está colocando milhares de pessoas na mesma frequência de energia. Isso é um tipo de feitiço.” — DELCU

A artista relembrou ainda momentos emocionantes em que fechar sets marcantes — seja com faixas autorais, remixes de Teto Preto com Marina Lima ou clássicos como a Melody — gerou uma verdadeira catarse emocional coletiva no público pós-pandemia.

Evehive complementou enxergando a construção do set como uma narrativa ritualística de conquista:

“Eu considero todo set como um ritual. É como um flerte: primeiro você flerta, depois você conquista, para só depois intensificar. Não dá para começar já ‘metendo o louco’. A troca no B2B com a Duda é uma das mais marcantes pra mim porque a nossa conexão é muito real, a gente se enxerga na cabine e o público sente esse respeito.” — EVEHIVE

Drinks autorais e o futuro da dupla

O desdobramento de “Citrus Flavor” não vai parar nos tocadores de streaming. Aproveitando o conceito sensorial do single, a dupla já planeja transformar o som em uma experiência gastronômica e estética para a noite.

“A gente é da noite e gosta de um drink! A ideia que o Ivi trouxe é criar drinks reais que combinem com a estética e o sabor da música. Vai ser um experimento: vamos nos reunir, criar a receita — algo leve, como uma tacinha de espumante ou um Mimosa cítrico — e quem sabe propor a bebida nos bares dos clubes onde formos tocar.” — DELCU

Com a promessa de novos lançamentos em conjunto a caminho, Delcu e Evehive reafirmam que a cena eletrônica autoral brasileira continua expandindo e pronta para ditar o ritmo da estação que se aproxima.

COLUNISTA

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João Pedro Fontes

[ele/dele ; ela/dela]

João Pedro Fontes, nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em Comunicação Social: Publicidade & Propraganda. Durante a faculdade se redator publicitário, atuando hoje como Social Media e Copywriter com foco em cultura e identidade.
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