COLUNA

Rafael Nascimento

[ele/dele]

Jornalista com mais de sete anos de atuação. Foi editor e repórter de Sexualidade LGBT+ no Portal iG

Excelência LGBTQIAPN+

Uma bicha e uma travesti pretas levaram ao fim da escala 6×1 no Brasil. Dia de comemorar uma vitória avassaladora dos trabalhadores deste país

Uma reivindicação que nasceu do povo trabalhador brasileiro e de um relato genuíno de um balconista de farmácia agora se materializou. O Senado acaba de aprovar, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala trabalhista no modelo 6×1 e garante dois dias de descanso remunerado sem diminuição do salário.

Foi a partir de um relato pessoal do, agora, deputado federal, Rick Azevedo (PSOL-RJ), que em um vídeo publicado em 2023 comparou a escala 6×1 a uma espécie de neoescravidão, que o movimento contrário a esta jornada começou a tomar forma. Rick ganhou projeção nacional ao fundar o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e encabeçar uma enorme petição online contra o modelo trabalhista. A força dessa mobilização popular digital e das ruas chamou a atenção de parlamentares.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi a responsável por canalizar essa pressão social para dentro do Legislativo. Ela utilizou a base e as pautas levantadas pelo movimento de Azevedo para redigir, articular e protocolar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), votada nesta quarta-feira (14). Na Casa parlamentar, a proposta foi aprovada por 75 votos a favor e um contra, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

Rick se identifica como um homem gay e Erika é uma travesti, que no pleito de 2026 alcançou a marca de mulher mais votada da história da Câmara. Essas figuras são a representação da potência LGBTQIAPN+ preta brasileira, dos trabalhadores de base e da população que é colocada à marginalização e ao escrutínio social.

Rick e Erika nos reforçam que o sonho é possível e que nossas vozes podem ser ouvidas, que somos mais que pessoas queer, que nossas identidades e orientações sexuais são uma parte que nos constitui, mas nós extrapolamos. Estamos no epicentro das discussões importantes deste país e mobilizamos as mudanças que impactam, não somente à nossa comunidade, tão renegada por grupos conservadores, mas assim como toda a sociedade.

E eles não são os únicos. O número de pessoas LGBT+ eleitas no primeiro turno das eleições de 2026 quase dobrou, passando de 18, em 2022, para 35 neste ano (https://ssexbbox.com/a-esperanca-que-chega-as-urnas/). Juntas, essas candidaturas receberam mais de 10 milhões de votos e conquistaram cadeiras no Senado, na Câmara, nas assembleias legislativas e na Câmara Distrital.

No ano que vem não vamos ter apenas duas deputadas federais trans, mas agora três. Erika Hilton (SP) e Duda Salbert (MG) garantiram suas reeleições, enquanto Thabatta Pimenta (RN) fez história ao se tornar a primeira deputada federal trans do Nordeste brasileiro.

O segundo turno presidencial está a caminho! Ainda há muito o que discutir e se mobilizar. Apesar deste cenário positivo para a política queer brasileira, o ambiente no próximo ano é nebuloso com uma oposição conservadora forte que não é simpática às pautas que concernem a população LGBTQIAPN+. Mas hoje, nós vamos sorrir. Sorriam, a vida presta!

COLUNISTA

Foto_perfil

Rafael Nascimento

[ele/dele]

Rafael Nascimento é um jornalista homem gay cis natural da Baixada Fluminense com mais de sete anos de experiência. Já desempenhou funções como editor, repórter e produtor de conteúdo em diferentes veículos. É graduado pela Universidade Veiga de Almeida e pós-graduando em Direitos Humanos e Questões Étnico-Sociais pela PUC-PR. É jornalista na Secretaria de Cultura e Turismo de Duque de Caxias e editor freelancer na Marie Claire. Foi editor de Homepage e Redes Sociais no Portal iG. No mesmo site, foi repórter e depois promovido a editor em Queer, atuando na pauta de Sexualidade LGBTQIAPN+. Foi repórter freelancer na Editoria E+ (Cultura, Comportamento e Entretenimento) do Estadão e trainee no 11º Curso de Jornalismo Econômico, também do jornal paulista. Participou do “Lab 99 + Folha de São Paulo: Tecnologia para Todos” em que produziu e apresentou o podcast “Dinheiro para Todos: Bancarização e Soluções Digitais”. O projeto levou o 2º lugar no Prêmio 99 de Jornalismo.
Veja também

7 filmes Queer de terror para assistir em outubro

Conversa com Miguel Salazar, ativista LGBT português

Tornando-se Symbiopunk: 101

Ninguém fode de graça: estamos mesmo fingindo que tesão não é político? 

Assista

No Instituto [SSEX BBOX] realizamos projetos e advocacy que visam destacar a diversidade, inclusão e a equidade sobre os temas de gênero, sexualidade, população LGBTQIAP+, raça, etnia e pessoas com deficiência.

As ações do Instituto incluem apresentar ferramentas, conteúdos educacionais, e soluções estratégicas visando o exercício do olhar interseccional para grupos sub-representados. Nossas atividades tiveram início em 2009, a partir de uma série de webdocumentários educacionais que exploram temas da sexualidade e gênero para promover mudanças sociais com base nos direitos humanos.

Nosso Contato

Newsletter [SSEX BBOX]

Copyright ©2026 Todos os direitos reservados | [SSEX BBOX]