Pessoas trans, pessoas pretas, pessoas indígenas, mulheres, pessoas ditas de minorias, como qualquer outro ser humano, podem errar. Podem ter deslizes, falas complexas e até cometer atos ilícitos.
Mas é impressionante como, quando alguém dessa comunidade erra, a primeira coisa que algumas pessoas fazem é atacar a nossa identidade.
Se uma pessoa preta erra, vem o racismo.
Se uma pessoa trans erra, vem a transfobia.
E assim sucessivamente.
E talvez isso revele muito mais sobre quem agride do que sobre quem errou.
Porque “perder a cabeça” não transforma preconceito em argumento. Raiva não é autorização para cometer crimes. Um erro não apaga a identidade de ninguém.
O caso da vez, envolvendo Malévola, Soso Careca e MC Paiva, mostra mais uma vez como uma discussão pode ultrapassar todos os limites. Durante uma live, Paiva fez comentários ofensivos à população trans e ameaçou agredir Malévola, que procurou a polícia. Malévola também não foi 100% santa na história, e isso não precisa ser escondido para reconhecer quando uma fala transfóbica acontece.
No Brasil, transfobia é crime. O STF determinou que a discriminação por identidade de gênero seja enquadrada na Lei 7.716/1989 e reconheceu que ofensas contra pessoas LGBTQIAPN+ podem configurar injúria racial.
A gente pode discordar. Pode criticar. Pode responsabilizar. Às vezes, pode até escolher não opinar.
Só não pode usar a raiva como desculpa para revelar o preconceito que já estava ali. Seguir atenta y forte também passa por nomear isso quando acontece.