COLUNA

Yaga Goya

[ela/dela]

Multiartista y Articuladora Cultural

Na hora da “raiva”, a transfobia se revela

Pessoas trans, pessoas pretas, pessoas indígenas, mulheres, pessoas ditas de minorias, como qualquer outro ser humano, podem errar. Podem ter deslizes, falas complexas e até cometer atos ilícitos.

Mas é impressionante como, quando alguém dessa comunidade erra, a primeira coisa que algumas pessoas fazem é atacar a nossa identidade.

Se uma pessoa preta erra, vem o racismo.
Se uma pessoa trans erra, vem a transfobia.
E assim sucessivamente.

E talvez isso revele muito mais sobre quem agride do que sobre quem errou.

Porque “perder a cabeça” não transforma preconceito em argumento. Raiva não é autorização para cometer crimes. Um erro não apaga a identidade de ninguém.

O caso da vez, envolvendo Malévola, Soso Careca e MC Paiva, mostra mais uma vez como uma discussão pode ultrapassar todos os limites. Durante uma live, Paiva fez comentários ofensivos à população trans e ameaçou agredir Malévola, que procurou a polícia. Malévola também não foi 100% santa na história, e isso não precisa ser escondido para reconhecer quando uma fala transfóbica acontece.

No Brasil, transfobia é crime. O STF determinou que a discriminação por identidade de gênero seja enquadrada na Lei 7.716/1989 e reconheceu que ofensas contra pessoas LGBTQIAPN+ podem configurar injúria racial.

A gente pode discordar. Pode criticar. Pode responsabilizar. Às vezes, pode até escolher não opinar.

Só não pode usar a raiva como desculpa para revelar o preconceito que já estava ali. Seguir atenta y forte também passa por nomear isso quando acontece.

COLUNISTA

Foto YAGA (300x300)

Yaga Goya

[ela/dela]

Multiartista Brasileira y Travesti, Yaga Goya (32), de família pernambucana, nasceu no carnaval de 1994 y cresceu em Guaianases, na periferia da Zona Leste de São Paulo. Múltipla em seus interesses y práticas, transita desde cedo entre o desenho, a escrita y a performance, linguagens que atravessam seu imaginário y estruturam sua trajetória artística y profissional. Em sua caminhada independente, desenvolve-se nas artes visuais, na música, na escrita y na produção cultural. Atua na criação de eventos, festas y blocos carnavalescos, além de integrar projetos em teatro y audiovisual, somando também um consistente trabalho fotográfico y performático. Nas artes visuais, acumula a participação em 10 exposições, sendo 2 individuais y 8 coletivas, ocupando espaços como o “Museu da Diversidade Sexual”, o “Instituto Goethe” y as “Oficinas Culturais de São Paulo”, além das ruas, onde se expressa por meio de grafites y lambes. Em sua coluna, reúne um olhar sensível, crítico y vivido a partir de uma perspectiva Trans-Brasileira, propondo reflexões sobre os temas que atravessam y tensionam o nosso tempo.
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