COLUNA

Yaga Goya

[ela/dela]

Multiartista y Articuladora Cultural

É preciso estar – MUITO MAIS – que atenta y  forte

Ser uma pessoa LGBTQIAPN+ hoje no Brasil é inegavelmente melhor do que já foi, estamos realmente conseguindo caminhar melhor, houveram avanços significativos nas questões legislativas, educacionais y comportamentais, mas também sabemos que há muito caminho para percorrer antes de conseguirmos a tal da igualdade.

Entre 2016 y 2024 as palavras “Diversidade”, “Inclusão” y “Orgulho” foram muito proferidas y relativamente executadas, principalmente em Junho, considerado “nosso mês”, entretanto desde 2025, estamos sentindo y observando que agora até a propaganda está caindo, já “não é tendência ser diverso”, no último ano muitos influenciadores lgbt’s+ denunciaram em suas redes sociais que foi o mês de Junho mais fraco de publicidade; o público também notou isso.

Colagem criada por Yaga Goia

No quesito legislativo, que é onde a gente precisa sempre estar com o radar ligado, porque é esse nosso único respaldo possível, tivemos avanços consideráveis como: o direito ao matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, direito a retificação de nome/gênero, estamos vendo agora um início do que será as cotas trans, etc etc; Entretanto essa é uma luta sem fim, direito nunca é garantido (Vide EUA que acaba de retirar diversos direitos de pessoas Trans); portanto é nisso que trago no título de que é preciso estar MUITO MAIS que atenta e forte.

Na icônica letra de “DIVINO MARAVILHOSO” composta por Caetano Veloso y Gilberto Gil, y cantada por Gal Costa em 1968 durante um contexto social de ditadura, foi necessário eles estarem atentos y fortes, porque não tinham tempo de temer a morte. Agora, por esses tempos, a morte é detalhe.

A gente precisa enquanto comunidade, y dentro dos (im)possíveis estarmos o mais alinhadas, conectadas, entrelaçadas, juntas, nos trancos y barrancos, se multiplicando y trocando sempre!

Nessa desobediência em seguirmos vivas, quero parafrasear Jota Mombaça que em seu livro “Não Vão nos Matar Agora”, fala de um Brasil “Aqui, onde não somos a promessa, mas o milagre. Aqui, onde não nos cabe salvar o mundo, o Brasil ou o que quer que seja. Onde nossas vidas impossíveis se manifestam umas nas outras e manifestam, com sua dissonância, dimensões y modalidades de mundo que nos recusamos a entregar ao poder. Aqui. Aqui ainda”.

Sigamos então em diálogo, lutas y gozos, porque a festa também é importante, Y não vão nos parar.

COLUNISTA

Foto YAGA (300x300)

Yaga Goya

[ela/dela]

Multiartista Brasileira y Travesti, Yaga Goya (32), de família pernambucana, nasceu no carnaval de 1994 y cresceu em Guaianases, na periferia da Zona Leste de São Paulo. Múltipla em seus interesses y práticas, transita desde cedo entre o desenho, a escrita y a performance, linguagens que atravessam seu imaginário y estruturam sua trajetória artística y profissional. Em sua caminhada independente, desenvolve-se nas artes visuais, na música, na escrita y na produção cultural. Atua na criação de eventos, festas y blocos carnavalescos, além de integrar projetos em teatro y audiovisual, somando também um consistente trabalho fotográfico y performático. Nas artes visuais, acumula a participação em 10 exposições, sendo 2 individuais y 8 coletivas, ocupando espaços como o “Museu da Diversidade Sexual”, o “Instituto Goethe” y as “Oficinas Culturais de São Paulo”, além das ruas, onde se expressa por meio de grafites y lambes. Em sua coluna, reúne um olhar sensível, crítico y vivido a partir de uma perspectiva Trans-Brasileira, propondo reflexões sobre os temas que atravessam y tensionam o nosso tempo.
Veja também

Voz é pop, é identidade, voz é luta!

As musas de direita que soltaram as nossas mãos

Ruínas do capital e futuros vivos

A Lei Inversa, Alan Watts e o paradoxo de tentar ser

Assista

No Instituto [SSEX BBOX] realizamos projetos e advocacy que visam destacar a diversidade, inclusão e a equidade sobre os temas de gênero, sexualidade, população LGBTQIAP+, raça, etnia e pessoas com deficiência.

As ações do Instituto incluem apresentar ferramentas, conteúdos educacionais, e soluções estratégicas visando o exercício do olhar interseccional para grupos sub-representados. Nossas atividades tiveram início em 2009, a partir de uma série de webdocumentários educacionais que exploram temas da sexualidade e gênero para promover mudanças sociais com base nos direitos humanos.

Nosso Contato

Newsletter [SSEX BBOX]

Copyright ©2026 Todos os direitos reservados | [SSEX BBOX]