O Instituto [SSEX BBOX], organização que criou e foi responsável pela realização das oito edições da Marcha do Orgulho Trans da Cidade de São Paulo, apresenta seu posicionamento sobre a assembleia marcada para 20 de setembro de 2026, na sede do coletivo Travas da Sul, no Grajaú. A assembleia está sendo organizada de forma independente do processo institucional de passagem de bastão iniciado pela Marcha.
Agradecemos muito o convite. Estamos disponíveis e temos grande interesse em contribuir com as conversas sobre a criação de um novo evento, e nossa equipe ficará feliz em participar sempre que sua presença for considerada útil. No entanto, entendemos que, neste momento, não houve uma solicitação expressa para nossa participação ou para uma contribuição específica durante a assembleia. Por essa razão, não estaremos presentes no encontro do dia 20 de setembro. Permanecemos inteiramente disponíveis para contribuir com a continuidade das conversas e, caso recebamos um convite específico com nitidez se haverá facilitação de grupo, qual a metodologia ou dinâmica participativa e com qual os objetivos da assembleia para participar dos próximos diálogos, teremos muita satisfação em estar presentes.
Reconhecemos e defendemos o direito de pessoas, coletivos e organizações trans se reunirem, dialogarem e participarem ativamente das decisões que afetam nossa comunidade. A mobilização coletiva é fundamental para fortalecer o movimento trans, ampliar sua presença pública e construir caminhos mais representativos e plurais.
É importante, entretanto, esclarecer que esta assembleia constitui uma iniciativa independente e não integra o processo oficial de transição da Marcha do Orgulho Trans da Cidade de São Paulo. Portanto, suas decisões e seus eventuais encaminhamentos não representam institucionalmente o Instituto [SSEX BBOX], a Marcha, sua equipe ou as organizações formalmente envolvidas no processo de passagem de bastão.
A Marcha foi criada e consolidada pelo Instituto [SSEX BBOX] por meio de um trabalho contínuo, realizado coletivamente com inúmeros coletivos, equipes, artistas, profissionais, organizações parceiras, patrocinadores e pessoas da comunidade. Essa trajetória constituiu um patrimônio histórico, cultural e institucional que inclui, entre outros elementos, sua marca, seu nome, sua identidade visual, sua metodologia, seu acervo, suas redes sociais, seus canais de comunicação, documentos, registros audiovisuais e relações institucionais.
Um evento cultural dessa dimensão necessita de instrumentos formais que protejam sua identidade, sua continuidade e a responsabilidade de quem o organiza. A marca Marcha do Orgulho Trans da Cidade de São Paulo está registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial — INPI — e, portanto, conta com proteção jurídica. Da mesma forma que a marca da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo integra o patrimônio intelectual de sua organização responsável, a marca da Marcha está vinculada à instituição que a criou, estruturou e realizou ao longo de suas oito edições.
Esse registro não representa uma tentativa de reivindicar a propriedade das lutas trans ou do movimento trans, que são construções coletivas e pertencem à sociedade. Trata-se de um instrumento de proteção para a instituição responsável pela realização das oito edições e também para o próprio movimento. A proteção da marca contribui para preservar a história, a credibilidade e as relações construídas pela Marcha com a comunidade, os coletivos, as organizações parceiras, o poder público e os patrocinadores.
Por essa razão, o uso do nome, da identidade e dos demais ativos da Marcha deve observar as autorizações necessárias e não pode sugerir representação oficial, continuidade institucional ou qualquer vínculo com o Instituto [SSEX BBOX] sem consentimento formal. Da mesma forma, decisões tomadas por instâncias externas não produzem efeitos sobre a titularidade, a transferência, a gestão ou o uso desses ativos, que devem observar as leis e os procedimentos jurídicos e institucionais aplicáveis.
Nesse sentido, pedimos apenas que todas as comunicações e os registros relacionados a esta assembleia indiquem claramente seu caráter independente, evitando interpretações equivocadas por parte da comunidade, da imprensa, das organizações parceiras e do público em geral.
O processo de passagem de bastão foi criado justamente para permitir que uma nova organização assuma a responsabilidade pela continuidade da Marcha com legitimidade, responsabilidade e as condições necessárias para preservar o patrimônio coletivo construído ao longo dos anos. Esse processo envolve inscrições, análise, diálogo, definição de responsabilidades, transferência organizada de conhecimentos e acervos, além das formalizações necessárias para proteger o Instituto, a futura organização responsável e a própria continuidade da Marcha.
Permanecemos abertos ao diálogo respeitoso com organizações e pessoas comprometidas com o futuro da Marcha e com o fortalecimento do movimento trans. Divergências fazem parte de qualquer processo democrático e podem contribuir para o amadurecimento coletivo quando conduzidas com escuta, responsabilidade e respeito pelo trabalho de todas as pessoas que fizeram parte dessa trajetória.
Nosso desejo é que este momento fortaleça o movimento trans e amplie sua capacidade de colaboração, participação e construção coletiva. Ao mesmo tempo, defendemos o respeito à história da Marcha, à sua marca e ao processo institucional de transição atualmente em andamento.
Continuaremos trabalhando para que essa passagem seja realizada com cuidado, segurança, responsabilidade histórica e compromisso com o futuro da comunidade trans.
Instituto [SSEX BBOX]
Marcha do Orgulho Trans da Cidade de São Paulo