Análises técnicas mostram erros lógicos e materiais nas notas da Secretaria de Cultura do Rio Grande do Norte, exigindo transparência da gestão.
Posse Narrativa e Justiça Cultural
Como colunista deste espaço, utilizo hoje minha voz para pautar uma questão de transparência e justiça cultural: a inconsistência técnica nas avaliações dos editais da Secretaria de Cultura do Rio Grande do Norte (FJA).
Ao ler esse post da Revista O grito!, percebi que o que acontece nos editais do RN, também tem acontecido em outros estados.
O que deveria ser um processo de fomento pautado pela clareza e pelo incentivo transformou-se, para muitos produtores, em um amontoado de avaliações que não fazem sentido. No caso específico do meu projeto, a avaliação de um dos pareceristas mostrou inconsistência técnicas insustentáveis em relação aos demais avaliadores.
A falha lógica na Avaliação Técnica
Enquanto a obra recebeu nota máxima (20,00) em elementos artístico-técnicos, um reconhecimento da técnica de escrita, o mesmo avaliador atribuiu apenas 50% da nota para a clareza dos objetivos.

É um erro de lógica elementar que fere a inteligência do proponente: não existe obra artisticamente perfeita que nasça de um plano confuso ou incoerente. Se a técnica atingiu o ápice da pontuação, o plano que a norteia deve ser avaliado com o mesmo nível de excelência. Além disso, enfrentamos erros materiais, como a desconsideração de formatos especificados no projeto (A4 vs. A5), resultando na falsa premissa de que a obra não estava concluída, ignorando um conteúdo 100% pronto para entrega.
O que mostra desleixo e falta de atenção ao próprio projeto que foi avaliado.
Por um letramento diagnóstico na Gestão Pública
Esta coluna é um desabafo individual, mas também uma manifestação para articulação coletiva. Relatos de outros produtores culturais do RN chegaram até mim e confirmam que essas discrepâncias e falhas de interpretação não são casos isolados.
É o sintoma de uma gestão que precisa urgentemente de um letramento técnico e diagnóstico mais rigoroso para avaliar projetos que movimentam a economia criativa do estado.
Pela ética que rege a educação e a cultura como ferramentas de resistência, cobramos explicações diretas da gestão da Secretária de Cultura do RN, Mary Land Brito.
Onde o Estado falha em sua função de avaliar com equidade, a comunidade assume seu papel de fiscalizar.
Não aceitaremos que o futuro da nossa produção cultural seja prejudicado por pareceres que ignoram a própria realidade e a integridade dos projetos apresentados.
E aí, Mary Land, o que tem acontecido nos editais do RN para que tantas reclamações sobre as avaliações existam sem respostas satisfatórias?