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COLUNA

Pri Bertucci

[ILE/DILE & ELE/DELE]

Artista social, educadore e pesquisadore da área de diversidade há pelo menos duas décadas

Travesti em marca de beleza

Crescemos com o conceito vigente do padrão de beleza, consolidado principalmente pela comunicação de marcas da indústria da beleza. Por isso, também, a importância de celebrarmos posicionamentos como o da ‘Quem disse, Berenice?’, que patrocinou pela primeira vez a Marcha do Orgulho Trans de São Paulo.

À seguir uma entrevista rápida com a marca, sobre suas preocupações, e posicionamentos internos.

Como marca, por que para vocês é importante apoiar a Marcha do Orgulho Trans de São Paulo?

‘Quem disse, Berenice?’ é uma marca que, desde a sua criação, respira Liberdade. É nosso conceito principal, e acreditamos que não existe liberdade sem diversidade. Por isso, diversidade é, também, uma bandeira que sempre levantamos. Neste ano e no anterior, fizemos ações voltadas ao público LGBTQIAP+, trouxemos diversidade para o nosso casting e trouxemos Pabllo Vittar para nossas campanhas. Quisemos dar um passo além na valorização da diversidade, ao trazer, com orgulho, apoio para a Marcha Trans de São Paulo. Queremos fazer coro aos esforços constantes de visibilização das pessoas trans e na sua representação na sociedade.

Assista aos vídeos incríveis que a Quem disse berenice ? criou em parceria com a [DIVERSITY BBOX] consultoria posicionando pessoa Trans e Travestis como protagonistas de narrativas de beleza em nossa sociedade.

Como representatividade e inclusão, estamos muito felizes com o apoio da ‘Quem Disse, Berenice?’ como marca de beleza, a um evento voltado para esses corpos que são tão marginalizados. Vocês podem falar um pouco sobre isso?

Falar de liberdade e de maquiagem sem regras é falar, também, de beleza sem regras impostas. Para nós, todos os corpos são expressões e identidades em que queremos potencializar a beleza e a autoestima. E isso inclui a identidade trans e as tantas expressões que são possíveis ali. É dar, também, visibilidade e espaço a essa expressão, a essa beleza, que é singular como todas, e tem que ter espaço, como todas. 

Poder estar mais perto de uma ação voltada às pessoas trans será, também, um aprendizado enriquecedor para nós como marca, de forma que possamos ser cada vez mais inclusivos, e poder levar o poder da beleza para todes.

Ano passado, a Pepita, nossa atração principal desta segunda edição da Marcha, falou sobre a tristeza de não enxergar corpos trans, e ainda mais corpos trans negros como representantes de marcas de beleza, e agora, com o apoio de vocês estamos vendo isso acontecer. Vocês também podem falar sobre isso?

Ficamos muito felizes de poder participar da construção de algo cada vez mais plural, que evolua como a sociedade evolui. Em que a beleza seja parte de uma construção de cidadania e de representatividade. É algo que vai além de sermos uma marca de beleza, é uma oportunidade de potencializar algo maior, para uma sociedade mais madura e justa, através da representatividade. Acreditamos muito no poder de todes poderem se ver representades, e queremos trazer isso. 

E queremos olhar para este esforço e este acontecimento como um estímulo para que outros parceiros do mercado também tragam a beleza das pessoas trans, e que essa seja uma prática que se espalhe não apenas para mais pessoas, mas também para além das marchas. Temos membros da comunidade trans na nossa força de vendas, já trouxemos pessoas trans para o nosso conteúdo, e trazer essas pessoas traz entendimento, mostra a beleza e dissipa preconceitos. Estamos juntes para que os corpos trans tenham cada vez mais visibilidade.

E por fim, como vocês enxergam essa propagação desse apoio que começa agora com a Marcha Trans? Quais os próximos passos da marca relacionados à diversidade, inclusão e representatividade?

Queremos que esse apoio seja o início de uma história ainda mais forte que a que já viemos contando. Queremos continuar o nosso apoio, e estar cada vez mais próximos de pessoas trans, promovendo e acelerando a evolução da sociedade para inserção cada vez mais forte dessas pessoas. Entendemos que a função da marca é mais que apenas vender, mas auxiliar a trazer evolução para a sociedade. Para ‘Quem disse, Berenice?’ só estará bom quando estiver bom pra todo mundo. Em próximos passos, estaremos trabalhando internamente no constante treinamento das nossas lideranças e da nossa força de vendas, explorando nossas possibilidades de empregabilidade, especialmente com a oportunidade que teremos de acesso ao banco de currículos oferecido pelo apoio à Marcha.

Conheça a ferramenta [DIVERSITY BBOX] JOBS é possível criar um banco de currículo online de talentos trans e pessoas não brancas, PCD e LGBTQIAP+.
Acesse: https://diversitybboxjobs.com

COLUNISTA

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Pri Bertucci

[ILE/DILE & ELE/DELE]

Artista social, educadore e pesquisadore da área de diversidade há pelo menos duas décadas. Identifica-se como pessoa não branca, não cis, não binária transgênero /gender queer. É CEO da [DIVERSITY BBOX] consultoria; fundadore do Instituto [SSEX BBOX], projeto pioneiro no tema de justiça social; cocriadore da linguagem neutra e do pronome de gênero neutro na língua portuguesa ILE/DILE e produtore executivo da Marcha do Orgulho Trans de São Paulo.
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Um guia para promover a linguagem neutra e inclusiva em português

Poliamor Espiritual

Gênero é um text field

Famílias Queer

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No Instituto [SSEX BBOX] realizamos projetos e advocacy que visam destacar a diversidade, inclusão e a equidade sobre os temas de gênero, sexualidade, população LGBTQIAP+, raça, etnia e pessoas com deficiência.

As ações do Instituto incluem apresentar ferramentas, conteúdos educacionais, e soluções estratégicas visando o exercício do olhar interseccional para grupos sub-representados. Nossas atividades tiveram início em 2011, a partir de uma série de webdocumentários educacionais que exploram temas da sexualidade e gênero para promover mudanças sociais com base nos direitos humanos.

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