COLUNA

Yaga Goya

[ela/dela]

Multiartista y Articuladora Cultural

A coragem de não opinar

Há semanas em que parece impossível escolher um assunto. Não porque faltem temas, mas porque sobram. A vida pessoal atravessa mudanças, a política acelera, o clima dá sinais cada vez mais evidentes de exaustão e o mundo parece nos convocar, o tempo todo, a reagir.

Talvez o problema seja justamente esse: a sensação de que precisamos ter uma opinião pronta sobre tudo. Vivemos um tempo em que falar se tornou quase uma obrigação, mesmo quando ainda não entendemos o suficiente, mesmo quando ninguém nos perguntou, mesmo quando o silêncio talvez fosse mais honesto.

Nem toda reflexão precisa nascer em voz alta. Há momentos em que observar, estudar e esperar dizem mais do que qualquer comentário apressado. Dar a si mesmo a permissão de não responder imediatamente também é um exercício de responsabilidade.

Talvez o inverno nos ensine um pouco disso. Há uma energia de recolhimento que contrasta com a velocidade do mundo. Em vez de alimentar ainda mais o ruído, talvez seja tempo de preservar o silêncio, organizar as ideias e lembrar que nem toda ausência de palavras é ausência de pensamento.

No fim das contas, talvez a coragem de não opinar seja também a coragem de dar menos importância à própria voz e mais espaço para a escuta. Em tempos de excesso, isso pode ser uma forma de cuidado.

COLUNISTA

Foto YAGA (300x300)

Yaga Goya

[ela/dela]

Multiartista Brasileira y Travesti, Yaga Goya (32), de família pernambucana, nasceu no carnaval de 1994 y cresceu em Guaianases, na periferia da Zona Leste de São Paulo. Múltipla em seus interesses y práticas, transita desde cedo entre o desenho, a escrita y a performance, linguagens que atravessam seu imaginário y estruturam sua trajetória artística y profissional. Em sua caminhada independente, desenvolve-se nas artes visuais, na música, na escrita y na produção cultural. Atua na criação de eventos, festas y blocos carnavalescos, além de integrar projetos em teatro y audiovisual, somando também um consistente trabalho fotográfico y performático. Nas artes visuais, acumula a participação em 10 exposições, sendo 2 individuais y 8 coletivas, ocupando espaços como o “Museu da Diversidade Sexual”, o “Instituto Goethe” y as “Oficinas Culturais de São Paulo”, além das ruas, onde se expressa por meio de grafites y lambes. Em sua coluna, reúne um olhar sensível, crítico y vivido a partir de uma perspectiva Trans-Brasileira, propondo reflexões sobre os temas que atravessam y tensionam o nosso tempo.
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