COLUNA

João Pedro Fontes

[ele/dele ; ela/dela]

Nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em

KiiiKiiii traz a internet que prometeram pra gente de volta

WhyKiiiKiii revisita os melhores momentos da década de 2010

WhyKiiiKiii pega a década de 2010 pelo colarinho e devolve o que a internet prometia ser antes de virar vitrine. O terceiro EP do KiiiKiiii transita pelos momentos mais divertidos daquele período, de Ever2late! até Blue Hour, e recupera o melhor do pop que dominou a década passada. A escolha das referências revela curadoria proposital, do primeiro compasso ao último.

Sweet Sour deixa esse raciocínio explícito no som. A faixa cruza Pussycat Dolls e Tate McRae dentro de um hip-hop dançante e divertido, sem perder o groove pelo caminho. O grupo não recicla referência por preguiça: usa o arranjo pra reconstruir a sensação de pista de dança que o pop mainstream parecia ter perdido.

Pop Off Pop Off resume o argumento do disco. A faixa-título assume a diversão sem pedir desculpas e recupera o eletrônico mais otimista que a gente dançou há dez anos, a mesma euforia que Kim Petras também tenta reconquistar num pop mais recente e mais cauteloso. Em vez de percorrer faixa por faixa, WhyKiiiKiii se move entre esses dois polos, o hip-hop dançante de Sweet Sour e o eletrônico otimista de Pop Off Pop Off, como se a diversão fosse, ela mesma, o argumento central do EP.

O acerto está em escolher bem o que emular. Com o avanço da década de 2010, a internet foi perdendo a graça que prometia na primeira metade: virou vitrine, virou rastreamento, virou terreno fértil pra extrair potencial comercial de cada scroll, parte do mesmo esgotamento que a cultura do cringe ajuda a nomear. A direção criativa de WhyKiiiKiii aposta no oposto disso: resgata um pop que parecia feito pra se divertir, não pra performar métrica. Cabe aqui a mesma pergunta de queer deixou de ser pop?: quanto da euforia otimista dessa década ainda sobrevive no pop de agora?

WhyKiiiKiii não reinventa nada, e não precisa. O EP funciona porque sabe exatamente o que herdar da década passada e devolve isso sem nostalgia bolorenta: refrão de pista, groove garantido e a sensação, rara em 2026, de um pop que não está tentando vender nada além de diversão.

COLUNISTA

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João Pedro Fontes

[ele/dele ; ela/dela]

João Pedro Fontes, nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em Comunicação Social: Publicidade & Propraganda. Durante a faculdade se redator publicitário, atuando hoje como Social Media e Copywriter com foco em cultura e identidade.
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