COLUNA

João Pedro Fontes

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Nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em

Kim Petras retoma o controle de sua carreira

Kim Petras retoma o controle de sua carreira em Detour após anos de poda criativa na Republic Records. O eletropop sujo voltou e é libertador.

Acompanho a carreira de Kim Petras desde que ela lançou o primeiro volume de seu álbum de Halloween, o icônico Turn Off The Light. Acompanhar essa trajetória, porém, foi uma experiência cada vez mais deprimente depois que ela assinou com a Republic Records

A originalidade que a Republic Records tentou apagar 

Parecia que toda a sua originalidade havia se perdido em um amontoado de tentativas de transformá-la em uma grande pop-star. 

A gravadora esqueceu que o que mais chamava atenção no trabalho dela era exatamente essa originalidade, algo muito difícil de encontrar nos projetos que lançou sob o selo.

Detour chega com singles muito bem apresentados e com o toque de Kim que eu não via há muito tempo. 

O álbum não é um grande trunfo comparado com o magnum opus da sua carreira (o projeto de Halloween), mas mostra que a identidade dela está ali, intacta, insistente. 

O jeito de escrever está um pouco mais desbocado e próximo do que quem acompanhava seu trabalho nos primeiros anos de carreira vai reconhecer com certa nostalgia.

Need For Speed e o ajuste de contas com o mainstream 

Em Need For Speed, que é o ponto mais alto de Detour, ela abre o jogo sobre como foi difícil sustentar a imagem de pop-star enquanto a gravadora só pedia singles com apelo comercial. 

E vamos combinar: quando uma música é uma tentativa desesperada de atingir o mainstream, ela perde sua mágica. 

Em Detour, ela constrói uma persona que foi tirada dela durante sua passagem pela Republic, onde conseguiu um #1 na Hot 100 e um Grammy. Esses feitos são gigantescos para uma mulher trans na indústria mainstream. Kim não recebeu as mesmas oportunidades que outras divas pop, esteve presa em um contrato com o problemático Dr. Luke e ainda assim construiu uma carreira de êxitos.

O eletropop sujo como retorno à identidade 

Freak It, I Like Ur Look e Brutalist são os outros pontos altos do álbum. A sonoridade frenética está presente nas duas primeiras e marca o retorno de Kim para um eletropop mais pesado e sujo.

Para concluir: Detour é um ótimo álbum para quem gosta do seu trabalho. Quem curte o estilo de músicas que ela faz vai gostar, e para ela, isso basta. 

Detour não precisa do mainstream para importar 

É muito provável que esse disco não seja um sucesso comercial, mas Detour é suco de Kim Petras depois de vários anos testemunhando uma poda criativa na carreira da mesma. 

Para quem quer entender o contexto mais amplo de representatividade trans nos espaços culturais mainstream, o caminho que Kim percorreu faz ainda mais sentido.

COLUNISTA

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João Pedro Fontes

[ele/dele ; ela/dela]

João Pedro Fontes, nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em Comunicação Social: Publicidade & Propraganda. Durante a faculdade se redator publicitário, atuando hoje como Social Media e Copywriter com foco em cultura e identidade.
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