Antes do Lollapalooza, Slayyyter lançou Brand New Chanel$, música sobre a traição que ela diz ter sofrido dentro
do próprio apartamento enquanto se apresentava no Coachella.
A letra não poupa detalhe:
“De novo pediu desculpas meia-boca
Imperdoável, como sempre
Eu sei que você tava vendo outra pessoa
Valeu a pena causar todos os meus piores dias?
Ela tava na sua festa, você disse pra eu não me preocupar
Mas agora tanto faz
Implorando pra você me ligar
Inventando outra história enquanto eu tô longe
Eu, eu aposto que ela só anda de Chanels novinhas
Esse corte seco, te cortei da minha vida e fui embora, é
Eu, eu tô melhor sem você, sempre soube que você ia fazer isso
Por que você teve que mentir? Me fez achar que eu tava louca
Ah, no meu apartamento, minhas roupas jogadas num canto
Por que você deixou ela passar a noite?
Será que você escondeu todas as nossas fotos na cozinha?
Ela provavelmente nem ia ligar, porque essas minas idiotas”
Qual a sonoridade?
Em um dance-pop sujo, derivado da sonoridade de Worst Girl In America, Brand New Chanel$ soa como um fechamento para a história que Slayyyter vem construindo álbum após álbum.
Ela faz referência direta ao lead single do disco, Beat Up Chanel$, ao dizer que a garota com quem foi trocada deve andar de Chanel novinha, enquanto ela mesma tem uma curadoria de bolsas da grife encontradas em brechó. A diferença entre as duas Chanels carrega o argumento inteiro da faixa: uma comprada pra impressionar, a outra garimpada, com história.
Quem já teve um parceiro mais interessado no próprio status do que na relação reconhece o lugar de onde ela fala. A pergunta que Slayyyter repete ao longo da música, por que você fez isso comigo no melhor momento da minha vida, não busca resposta. Busca testemunha.
O verso “me fez achar que eu tava louca” também não é novidade pra mim. Escrevi sobre esse tipo de dúvida plantada por quem trai em Será que estou louca? Um manifesto, sobre gaslighting e reconstrução de identidade.
Brand New Chanel$ é, até aqui, um dos melhores materiais da carreira dela. Não porque inventa um sofrimento novo, mas porque pega um sofrimento comum, o de ser trocada por alguém mais fácil de mostrar, e recusa se fazer de vítima discreta. Slayyyter grita, compara bolsa, nomeia a treta. E isso, no pop atual, ainda soa raro.
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