COLUNA

João Pedro Fontes

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Nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em

Leonel Camasão: “a gente é resposta ao bolsonarismo” em Santa Catarina

Vereador de Florianópolis fala sobre reeleição, os quatro eixos da campanha de 2026 e o que significa fazer política LGBTQIA+ no estado mais bolsonarista do Brasil.

Leonel Camasão foi eleito vereador de Florianópolis em 2024 com 3.975 votos. Jornalista, vegano há quase quatro anos, casado com o servidor público Paulo Lisboa Cordeiro, ele chega a 2026 como pré-candidato à Assembleia Legislativa de Santa Catarina, um dos estados com a bancada mais bolsonarista do país. O [SSEX BBOX] conversou com ele sobre trajetória, campanha e o que considera vitória nessa eleição.

De militante a vereador

Antes de vereador, Camasão foi presidente municipal e estadual do PSOL, quase 20 anos de militância partidária. Segundo ele, virar vereador não mudou só a vida financeira, mudou a estrutura de trabalho:

“A gente conseguiu redimensionar o nosso trabalho a partir de ter 10 pessoas trabalhando comigo, seja na comunicação seja no jurídico, para organização do trabalho do mandato.”

Ele chega à Câmara como quarto vereador LGBT da história de Florianópolis. Ao lado dele, mais duas vereadoras de esquerda, a Ingrid e a Carla, do PT. Pra ele, isso muda a experiência de mandato:

“Isso é aquele isolamento que muita gente vive quando parlamentares LGBT chegam. Eu não vivia exatamente porque tem mais duas vereadoras comigo também.”

Nada de suavizar pauta pra não assustar ninguém

Uma pergunta central da entrevista: será que existe pressão pra que políticos LGBT abram mão de pautas mais “incômodas” pra não afastar público conservador? Pra Camasão, não é assim que funciona, nunca foi.

“Eu não tô disposto a abrir mão das coisas que eu acredito para ter uma eleição mais rápida. As nossas candidaturas sempre foram em algum sentido incômodas, porque a gente trazia temas que as outras candidaturas não faziam.”

Ele lembra da candidatura a deputado federal em 2010, aos 24 anos, defendendo casamento entre pessoas do mesmo sexo, adoção por casais LGBT, doação de sangue e legalização das drogas, pautas que a imprensa tradicional da época tratava como “candidatos bizarros”. Praticamente tudo aquilo virou realidade depois.

O beijo gay que virou processo

Em 2012, candidato a prefeito de Joinville, Camasão foi o primeiro no Brasil a exibir um beijo entre homens no horário eleitoral. Um jornal local chamou a cena de nojenta. Um cidadão o atacou publicamente com uma sequência de xingamentos. A resposta de Camasão não foi nas redes, foi no Ministério Público:

“Eu denunciei ele na promotoria de direitos humanos. A promotoria abriu um processo e ele foi condenado a um ano e meio, mais indenização por danos morais coletivos à população LGBT e depois por danos morais individuais.”

Sem Instagram, sem WhatsApp, a repercussão dependia de jornal impresso e portal. Hoje ele diz ter mais audiência que muitos veículos locais, e segue com a mesma estratégia: expõe quem ataca, processa quem ofende. É um nome recorrente em ações contra políticos e figuras públicas de Santa Catarina por LGBTfobia.

Chegar nos meninos que a extrema direita já capturou

Um dos pontos mais diretos da conversa foi sobre a radicalização de jovens homens, inclusive gays, pela extrema direita. Camasão reconhece a dificuldade de alcançar esse público:

“Nossa principal fatia de público em termos etários é de 35 a 44 anos, de 25 a 34, e surpreendentemente também mais de 60, principalmente mulheres. O público de 16 a 25 é o que a gente menos tem incidência.”

Pra ele, parte disso é fase de vida, questionamento que vem com autonomia. Mas parte é captura organizada, com um perfil bem definido:

“Existe uma captura de forma organizada por partidos políticos. Mas ela tem um perfil muito nítido: são meninos brancos de classe média média-alta. Não tenho muito sucesso entre as mulheres, não tenho muito sucesso entre os negros.”

O diagnóstico que ele faz sobre a esquerda de forma geral é autocrítico: “A gente é ruim de resposta, ou coloca a resposta num patamar muito elevado. Não é a pessoa que tem que entender, você que tem que se fazer entender. E isso a comunicação que aprendi como jornalista me ensinou.”

Os quatro eixos da campanha

Camasão organiza o mandato, e a campanha de 2026, em quatro frentes: direitos humanos com foco na pauta LGBT, segurança pública pelo viés do combate à violência policial e da legalização da maconha, meio ambiente e direito dos animais, e enfrentamento às políticas fascistas.

“A gente tem trabalhado muito com a discussão da segurança pública, uma coisa que as pessoas dizem que a esquerda não discute. Mas pelo viés do combate à violência policial, da legalização da maconha como forma de enfrentar essa crise, as mortes que correm nas periferias.”

O que conta como vitória em 2026

Hoje são cinco deputados estaduais e dois federais de esquerda em Santa Catarina. A meta de Camasão é sair dessa eleição com sete ou oito estaduais, furar a cláusula de barreira nacional do PSOL e, no melhor cenário, eleger dois deputados estaduais pelo partido no estado. Ele também aposta numa Florianópolis mais competitiva para a esquerda na disputa presidencial:

“O Bolsonaro fez 52% em Florianópolis, contra uma média de 80/20 no resto do estado. Acho que a gente pode fazer o Lula ganhar aqui.”

Sobre o cenário nacional, ele é direto sobre o que representa a permanência de Lula no poder frente à família Bolsonaro: “Se não tiver a família Bolsonaro, a tendência é uma dispersão da extrema direita.” E deixa um alerta sobre o que vê crescendo à direita do próprio bolsonarismo, um partido menor que ele descreve como ainda mais radical: “Esse povo é mais doido, mais perigoso que o Bolsonaro.”

Sobre os adversários do PL em Santa Catarina, Camasão não poupa a palavra: “Nem todo político do PL é bolsonarista, mas tem muito bolsonarista no PL. Tem traficante, tem assassino, tem miliciano.”

A entrevista fecha com um convite aberto: o [SSEX BBOX] segue de portas abertas pra cobrir outros candidatos que estejam fazendo diferença pelo Brasil, envie um email para criacao@ssexbbox.com com sua proposta.

COLUNISTA

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João Pedro Fontes

[ele/dele ; ela/dela]

João Pedro Fontes, nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em Comunicação Social: Publicidade & Propraganda. Durante a faculdade se redator publicitário, atuando hoje como Social Media e Copywriter com foco em cultura e identidade.
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