SP indeferiu 70 grupos no Fomento ao Teatro, 11 já aprovados. Um ataque direto a uma lei histórica conquistada em 2002.

A cultura na cidade de São Paulo sofreu um golpe brutal esta semana. Em uma manobra antiética, abusiva e ilegal, a Secretaria Municipal de Cultura surpreendeu a comunidade artística ao indeferir as inscrições de 70 grupos na 46ª edição do programa de Fomento ao Teatro — cujo orçamento já havia sido aprovado em 2025. O absurdo atinge o ápice com 11 desses coletivos que, após passarem por etapas de avaliação, estavam literalmente aprovados e prontos para a assinatura do contrato quando foram cancelados de canetada.
É preciso dar o nome correto ao que está acontecendo: não se trata de um mero erro administrativo, mas de um ataque direto ao coração de uma conquista histórica.
Nascida em 8 de janeiro de 2002, a Lei de Fomento ao Teatro foi fruto da mobilização histórica de artistas e teatros de grupo no movimento Arte Contra a Barbárie. Prestes a completar 24 anos de existência, ela não é um edital temporário ou um favor de balcão de governos passageiros; ela é uma lei. Uma política pública consolidada que moldou a identidade cultural de São Paulo.
O sinal de alerta que se acende é perigoso: se a própria lei, com toda a sua bagagem e solidez, está sendo atacada e desrespeitada dessa forma, o que será do restante dos editais e dos mecanismos de incentivo da cidade?
Esse desmonte tem método, tem caminho e não pode ser normalizado. Quando se ataca a cultura, o impacto não fica restrito aos palcos. Ataca-se a sociedade, a saúde mental, o pensamento crítico e a própria vida. Diante do arbítrio, o teatro paulistano precisa resistir — como sempre fez.
Toda solidariedade aos trabalhadores da cultura afetados por essa decisão violenta e, em especial, aos 11 grupos indeferidos na linha de chegada:
- A motosserra perfumada
- Buraco d’oráculo
- Cia. Mungunzá de teatro
- Coletivo comum
- Companhia da memória
- Enchendo laje e soltando pipa
- Estopo balaio
- Grupo XIX de teatro
- Grupo folia Rainha kong
- Uso teatro urbano

A partir de agora, o importante é que os grupos se mobilizem, como já têm feito, e se organizem judicialmente para ir contra essa decisão. E nós, enquanto sociedade, precisamos estar atentos, vigilantes e nos juntarmos a eles para que esse cenário se reverta.
O teatro resiste, o teatro existe, o teatro é fundamental — e ele não vai parar.