A Networking Zone da AIDS 2026, no Rio, tira o chemsex do armário institucional e coloca redução de danos no centro do debate.
Chemsex sempre existiu nas rodas, nos grupos de WhatsApp, nas festas particulares. O que nunca existiu foi um espaço oficial pra discutir isso dentro da maior conferência de HIV do mundo. Isso muda agora.
A Conferência Internacional de Aids da IAS chega à edição de 2026 pela primeira vez na América Latina, no Rio de Janeiro, e traz uma novidade que quem trabalha com redução de danos vinha cobrando há anos: a Networking Zone sobre Chemsex e Redução de Danos, o primeiro espaço permanente da história do evento dedicado ao tema.
O qué Networking Zone?
A Networking Zone funciona como um território, presente do início ao fim da conferência, pensado pra pesquisadores, profissionais de saúde, gestores públicos, ativistas e pessoas com vivência comunitária se encontrarem no mesmo espaço. A proposta central é criar troca real entre quem estuda o tema e quem vive ele, saindo do modelo de apresentação formal que costuma dominar esse tipo de evento.
Território de cuidado
Ao longo dos seis dias de evento, a Networking Zone recebe rodas de conversa, debates, entrevistas e atividades participativas sobre uso sexualizado de substâncias. Tem um ponto fixo de acolhimento em redução de danos, com escuta e orientação disponível o tempo todo, e materiais multilíngues sobre substâncias psicoativas, interações medicamentosas e estratégias de cuidado.
Também tem área de convivência e descanso. Isso importa. O recado por trás dela é esse: cuidado envolve protocolo clínico e também envolve ter onde sentar, onde ficar, onde construir vínculo com quem entende do que você tá falando.
O estigma que a ciência ainda carrega
Chemsex mobiliza pesquisa, movimento social e resposta comunitária em vários países, mas segue tratado como assunto proibido em boa parte dos espaços institucionais. É esse o problema que a Networking Zone tenta furar: colocar ciência, política pública e experiência comunitária pra conversar no mesmo lugar, em vez de manter cada uma isolada em seu próprio silêncio.
A iniciativa é organizada pela Rede Brasileira de Redução de Danos e Direitos Humanos, Instituto Multiverso, Gestos, Centro de Convivência É de Lei, Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas e Escola Livre de Redução de Danos, com articulação do Impulse Group, Aborda, Plataforma Brasileira de Política de Drogas, Fiocruz e Articulação Nacional de Redução de Danos.
Um dos nossos também tá na mesa
Fernando Brutto, colunista do [SSEX BBOX], entra na programação da AIDS 2026. Ele preside uma mesa de profissionais do sexo formada por profissionais do sexo, terça-feira, dia 28 de julho, às 14h, no Global Village, dentro do Riocentro. No mesmo dia, às 16h, ele e Completasso comandam uma oficina de fisting, também na Global Village. Mais detalhes no Instagram dele.
Ficha do evento
Networking Zone sobre Chemsex e Redução de Danos Global Village, AIDS 2026, Riocentro, Pavilhão 2 27 de julho a 1º de agosto de 2026 Rio de Janeiro (RJ), Brasil
O saldo disso tudo
Ocupar espaço na maior conferência de HIV do mundo já seria uma vitória sozinha. Mas a aposta aqui é maior: fazer com que cuidado, redução de danos e o que as comunidades já constroem nos territórios virem parte fixa da agenda global de resposta ao HIV, não um convidado especial que aparece uma vez e some.