COLUNA

João Pedro Fontes

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Nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em

Todo mundo já foi vilão de alguém

CHAMELEO escutou minha apresentação e já soltou “perfeito querido, bora que bora.” Foi assim que começou nossa conversa sobre Versão dos Fatos, o EP mais pessoal da carreira dele, lançado dia 6 de agosto via ONErpm.

O nome do projeto nasce de uma constatação simples, quase um ditado: todo mundo já foi vilão na história de alguém. “Eu tô até lendo um livro que fala muito sobre isso”, ele conta.

“É um compilado de histórias, talvez da mesma história de amor para a mesma pessoa, mas contadas pela minha perspectiva. É a minha versão dos fatos.” E sim, ele já se viu como vilão.

A faixa “Nosso Drama” carrega essa dúvida: “será que eu tô sendo um pouco tóxico aqui, essa vontade de querer que a pessoa seja só sua.”

“Volto Logo” é outra que grudou em mim assim que ouvi. “Eu já vou mas volto logo pra me apaixonar por você de novo” é a linha que mais me pegou.

Perguntei se a música falava sobre voltar pra mesma pessoa várias vezes. “Sempre eu me apaixonei pouquíssimas vezes na vida, contando numa mão”, ele responde.

“O tempo passa, não é que eu fico apaixonado pela pessoa o resto da vida, mas sempre vai existir um carinho diferente. Pra mim é mais fácil voltar pra esse lugar do que tentar explorar com pessoas novas.

É como se eu tivesse fechado.” Quando bate, ele garante, é oito ou oitenta.

São Paulo entra no EP como símbolo de tudo isso. CHAMELEO saiu do Paraná há oito anos e encontrou na cidade o retrato da própria dinâmica amorosa que canta: “é tudo muito rápido, muita informação, e eu sinto que as relações hoje se enquadram nesse conceito, com as redes sociais, os aplicativos de namoro.

Parece que você tá sempre buscando preencher um lugar, tapar um buraco.” A cidade como palco de reencontros e permanências é assunto recorrente por aqui, vale ler também nossa conversa sobre o The Core, espaço que tenta construir raiz no centro paulistano.

Musicalmente, o disco mistura piseiro, pagodão baiano, jazz, post-punk, eletrônica e reggaeton, sempre dentro do pop que é a língua nativa dele.

“É uma grande sopa de várias referências”, resume. Mas ele faz questão de dosar: “eu sempre gosto de tomar muito cuidado na hora de explorar ritmos e sonoridades pra não me apropriar de alguma forma. Gosto de mesclar, explorar, mas trazendo pro meu universo.”

É um cuidado parecido com o que vimos em Julian Santt e as vivências transmasculinas no sertão paraibano: pop que carrega raiz sem precisar anunciar.

Grande parte da produção é assinada por Vivian Kuczynski, amiga de longa data.

“De todos os colaboradores desse projeto, a Vivian sem dúvida é o nome que mais teve presença. Esse EP é meu e dela.”

Foi ela quem trouxe boa parte das referências sonoras enquanto CHAMELEO já tinha a cabeça no próximo álbum: “eu senti que precisava de um EP de transição.”

Depois de gravar, as lembranças que inspiraram as faixas continuaram mudando. “A gente tá sempre se analisando.

Quando a gente sente na flor da pele, perde um pouco a consciência crítica. Depois que o sentimento passa, você muda a perspectiva, mas entendendo que naquele momento era exatamente aquilo que eu sentia. Isso não muda. Muda a consciência do momento.”

Fechamos falando sobre carreira. Do primeiro single em inglês, feito como hobby morando fora, até hoje, vivendo de música de forma independente. “Eu tava pensando mais no público do que no que eu realmente queria fazer.

A partir de um certo momento você lida com o mercado, isso é real. Mas existem formas de fazer o que você sente que precisa fazer atingindo mais gente.” Versão dos Fatos marca essa virada: “eu tirei um pouco desse peso e voltei a seguir minha intuição, do jeito que eu fazia no começo.”

Versão dos Fatos já está disponível em todas as plataformas via ONErpm.

Segue o CHAMELEO: @chameleo_

COLUNISTA

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João Pedro Fontes

[ele/dele ; ela/dela]

João Pedro Fontes, nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em Comunicação Social: Publicidade & Propraganda. Durante a faculdade se redator publicitário, atuando hoje como Social Media e Copywriter com foco em cultura e identidade.
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