Rebecca, Anne Louise e Clementaum assinam um single que não pede licença para provocar.
“Bom dia, bebê, o sol já raiou, hora de ferver.” A primeira linha de “Despertador” já avisa que ninguém ali vai sair da cama tão cedo.
Despertador, novo single de Rebecca, Anne Louise e Clementaum
O novo single de Rebecca, Anne Louise e Clementaum pega o funk carioca e o tribal house, dois gêneros que se conhecem bem no grave e na pista, e transforma acordar num convite explícito.
A ideia nasceu da vontade de misturar mundos que raramente se cruzam. Rebecca vinha de festas de música eletrônica havia um tempo e enxergou ali uma chance de levar o funk pra outro terreno sem perder o que já era dela.
“Sempre gostei de festas com música eletrônica. ‘Despertador’ nasceu muito desse desejo de experimentar”, conta. Anne Louise chegou numa conclusão parecida trabalhando a produção: “O funk e o tribal têm muito mais em comum do que talvez pareça num primeiro momento. São músicas eletrônicas extremamente físicas, feitas para a pista.”
Existir com liberdade na pista de dança
O tribal house cresceu colado ao público LGBTQIA+ e segue afastado do mainstream da música eletrônica, um caminho parecido ao que outros sons gestados fora do centro também percorreram.
Anne roda festas da comunidade dentro e fora do Brasil há anos e viu nesses espaços um lugar raro: onde dava pra existir com liberdade.
A mistura com funk, house, techno e ritmos latinos, pra ela, é uma forma de apresentar esse som a mais gente sem apagar de onde ele veio.
Clementaum entra nesse cruzamento como quem já mora ali, a produção passeia entre funk, tribal, techno e a cena underground, com referências que vêm direto da cultura ballroom.
Em “Despertador”, essa bagagem ajuda a borrar ainda mais as fronteiras da faixa. “Foi incrível essa união”, disse no lançamento, sobre reunir movimentos diferentes da música brasileira dentro do mesmo estúdio.
E sexo atravessa a letra sem meias palavras: cama fazendo barulho, mordida no pescoço, uma provocação sobre quem aguenta até o fim. É um vocabulário que o funk já domina, e que Rebecca lê como parte de uma liberdade que também pertence às mulheres do gênero.
“Quando uma mulher fala sobre o próprio desejo, sobre o próprio corpo e sobre o que ela quer, ela está quebrando uma expectativa muito antiga de como uma mulher deveria se comportar” — uma ideia que conversa direto com o que Robyn coloca em Sexistential.
A liberdade também mora em como a faixa foi montada.
Rebecca diz viver uma fase de testar batidas novas; Anne quer levar o tribal pra outras pistas sem suavizar a raiz; Clementaum já fez desse cruzamento a própria marca. Em vez de separar cada referência no seu canto, “Despertador” deixa tudo se misturar.
No fim, a música não pede muita explicação antes de funcionar. Funk, tribal, sexo e cultura clubber já dividem a mesma pista há tempo. “Despertador” só aumenta o volume disso.