COLUNA

João Pedro Fontes

[ele/dele ; ela/dela]

Nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em

Nem nossas lápides tem paz: violência póstuma

A violência contra pessoas LGBTQIAPN+ não termina quando a nossa vida acaba, muita das vezes ela já começa no funeral. 

Para muitos de nós, a busca por dignidade e respeito se estende para além da vida. É um constatação dolorosa, porém real: muitas vezes, não temos paz nem em nossas lápides. O vandalismo contra o túmulo de Ygona Moura, onde até mesmo a placa que corrigia seu nome foi arrancada, é reflexo de um ódio que tenta apagar nossas identidades, reescrever nossas histórias e silenciar nossos legados. Se nem o descanso final é respeitado, a nossa memória se torna o nosso último campo de batalha.

Você já parou para pensar na crueldade que é uma travesti passar a vida inteira blindando sua identidade, para no velório ser despida de sua feminilidade e sepultada como ela não desejava? O que resta quando a própria família confisca o cabelo, as roupas, a maquiagem e a verdade de quem ela foi?

Por que continuamos lutando?

O dia 17 de maio é o Dia Internacional de Combate à Homofobia, Transfobia e Bifobia.

A escolha dessa data não foi por acaso: foi em 17 de maio de 1990 que a OMS finalmente retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID). Foi um passo tardio que declarou ao mundo o que nós já sabíamos: nossa existência não é uma patologia. Décadas depois, a data se expandiu para incluir centralmente o combate à transfobia, jogando luz sobre a urgência de proteger vidas trans e travestis.

É por isso que manter viva a memória de quem veio antes de nós é um ato e político. Quando restauramos um túmulo vandalizado, quando defendemos o nome social de alguém que já partiu, ou quando cantamos as músicas de quem peitou o sistema, estamos dizendo: vocês não serão esquecidos.

COLUNISTA

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João Pedro Fontes

[ele/dele ; ela/dela]

João Pedro Fontes, nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em Comunicação Social: Publicidade & Propraganda. Durante a faculdade se redator publicitário, atuando hoje como Social Media e Copywriter com foco em cultura e identidade.
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No Instituto [SSEX BBOX] realizamos projetos e advocacy que visam destacar a diversidade, inclusão e a equidade sobre os temas de gênero, sexualidade, população LGBTQIAP+, raça, etnia e pessoas com deficiência.

As ações do Instituto incluem apresentar ferramentas, conteúdos educacionais, e soluções estratégicas visando o exercício do olhar interseccional para grupos sub-representados. Nossas atividades tiveram início em 2009, a partir de uma série de webdocumentários educacionais que exploram temas da sexualidade e gênero para promover mudanças sociais com base nos direitos humanos.

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