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João Pedro Fontes

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Nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em

Respostas de sobrevivência além do discurso

Ao longo da vida, percebemos como as reações das pessoas são variadas. Desde o colega que não reage ao bullying na escola até as pessoas que usam da defesa para nunca serem responsabilizados.

Em espaços públicos, como a escola, nossas posições muitas vezes não são ideológicas e sim expressões do nosso sistema nervoso em defesa. Geralmente são quatro respostas: fight, flight, freeze e appease.

A ameaça simbólica como gatilho

Para o nosso sistema nervoso, exclusão, humilhação e perda de pertencimento ativam os mesmo circuitos de perigo físico. Um debate político ou um desacordo relacional pode desencadear respostas traumáticas desproporcionais ao momento presente a partir do momento em que a pessoa traumatizada sente-se ameaçada.

Trauma e quebra de vínculo: o olhar de Gabor Maté

O trauma não é apenas o evento, mas o que aconteceu dentro da pessoa na ausência de um ambiente acolhedor para processá-lo. As experiências de abandono, invalidação e ruptura de vínculo são solo para respostas desreguladas na vida adulta e na atuação coletiva.

Quando o coletivo reproduz o trauma individual

Um grupo formado por pessoas com sistemas nervosos desregulados tende a criar uma dinâmica desorganizada: ataques impulsivos, fugas estratégicas, paralisias coletivas ou uma cultura de apaziguamento que impede enfrentamentos necessários. Assim existe o risco de o espaço que deveria ser de acolhimento se tornar um gatilho contínuo.

Como costumamos rotular comportamentos (ataque, vitimismo, ego, falta de maturidade) sem enxergar a lógica de defesa por trás. É necessário justificar e acolher: compreender não é abrir mão de responsabilidades, mas ampliar a capacidade de intervir com regulação.

Responsabilidade como regulação, não como punição

A lógica punitiva (expulsões, cancelamentos, hierarquizações rígidas) muitas vezes replica respostas de fight institucionalizadas. Não se trata de abandonar o embate político, mas de aprender a sustentá-lo sem que corpos sejam destruídos no processo.

É necessário reencontrar a habilidade de manter presença e escutar diante do outro em estado de ameaça como um dos grandes aprendizados contemporâneos.

COLUNISTA

jp

João Pedro Fontes

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Nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em Comunicação Social: Publicidade & Propraganda. Durante a faculdade, aprofundou-se em suas raízes e tornou-se redator publicitário, atuando hoje como Social Media e Copywriter, com experiência em gestão de marcas, criação de campanhas e desenvolvimento de estratégias digitais com foco em cultura e identidade.

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