Como encarei o gaslighting e renasci na autoficção “Será que estou louca?, um relato sobre saúde mental e a urgência de sobreviver.

Escrever “Será que estou louca?” não foi um exercício terapeutico apenas, mas um confronto com a tentativa de apagamento da minha identidade. Em uma relação pautada pela negligência, a autoficção surge como a ferramenta para descrever as engrenagens de um descarte anunciado, fundindo a narrativa íntima ao registro documental.
O arquivo como prova
O uso de transcrições reais de aplicativos no livro dita um ritmo de urgência. Esses diálogos capturam o gaslighting, enquanto eu buscava solidez nas palavras, o outro lado operava através do silêncio e do deboche para invalidar minha percepção.
O texto revela como a autopolícia, esse mecanismo interno de vigilância e dúvida, consumiu minha subjetividade por meses, um processo que analisamos como o limite da paralisia frente ao trauma.
Identidade, Território e Som
O livro me acompanha na transformação em um fantasma que tenta recuperar a própria voz após o silenciamento na noite natalense. A playlist que selecionei funciona como um mapa dessas perdas. Canções de Elza Soares e Potyguara Bardo reforçam a identidade potiguar e LGBTQIAPN+ que atravessa cada página. A música me sincronizou ao leitor antes dos capítulos que detalham o peso da depressão.
A urgência do corpo e a resistência física
O diagnóstico de PFIC e a necessidade de um transplante aceleraram minha escrita. Escrevi com a urgência de quem corre contra o relógio, transformando estas páginas em um registro de resistência física.
No Capítulo XVI, confrontei meu antigo parceiro sobre o medo da morte e a exposição da nossa história. A recusa dele em assumir responsabilidades encerrou meu ciclo de dependência. Percebi, enfim, que habitava uma cidade vazia e escura que nunca me pertenceu.
“Será que estou louca?“ é meu manifesto de sobrevivência. Ao destinar 10% dos lucros à PFIC Brasil, converto minha experiência de descarte em apoio para outros pacientes. Este livro serve a quem precisa entender a força necessária para se reconstruir após o fim de uma relação abusiva.
Ao apoiar a edição deste livro, o público investe em uma iniciativa de impacto social que materializa a reparação ética e política, gerando recursos para a PFIC Brasil e fortalecendo redes de cuidado e afeto. Através desta rede de suporte, transformamos o silenciamento em arquivo, provando que a união em torno da educação e da arte é o que sustenta novos horizontes de liberdade fora da caixa. Apoie clicando aqui!