COLUNA

João Pedro Fontes

[ELE/DELE]

Nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em

Quando superproteção vira paralisia

Proteger-se demais pode parecer cuidado, mas também pode virar medo, controle e distância da vida que você ainda precisa viver.

Eu preciso de tempo, alegria, amor. Eu preciso de espaço. Eu preciso de mim. Ação.

Durante muito tempo, ocupei o lugar de espectador: aquele que observa, que recua, que permanece à margem porque nunca se sente completamente à vontade para entrar.

Sempre tive medo. E também sempre vi as pessoas errarem muito na minha frente. Erros pequenos, erros violentos, erros que atravessam a existência do outro. Cresci aprendendo a olhar tudo com cautela, como se me mover demais pudesse me colocar em risco.

Por muito tempo, achei que me proteger era isso: pensar antes, hesitar antes, recuar antes. Como se a distância pudesse me poupar da dor, do fracasso, da vergonha. Como se observar fosse uma forma suficiente de viver.

Mas existe uma hora em que a proteção deixa de cuidar e começa a limitar. Existe uma hora em que pensar demais já não é prudência, é paralisia.

Escrever sempre foi um dos poucos lugares em que consegui existir com mais verdade. Desde a escola, eu gostava de escrever. Mas naquela época eu ainda vivia em um mundo superprotegido, pequeno demais, fechado demais, onde eu ainda não tinha percebido que a vida era muito maior do que a visão estreita que eu tinha dela.

Pessoas se foram. Erros se foram. Versões minhas também se foram. Mas a pessoa que eu me tornei continua aqui: ferida, em movimento, ainda caminhando para um lugar que não sei nomear, mas que sei que existe porque continuo indo em direção a ele.

Hoje, o que entendo é simples e difícil ao mesmo tempo: não dá para viver tentando evitar todos os riscos. Não dá para se proteger tanto a ponto de nunca se encontrar.

A reflexão que deixo é essa: não se proteja demais. Às vezes, a armadura também impede o abraço, o erro, o desejo e a própria vida.

COLUNISTA

jp

João Pedro Fontes

[ELE/DELE]

Nascido em Marcelino Vieira/RN (Alto Oeste Potiguar), tem 23 anos e é formado em Comunicação Social: Publicidade & Propraganda. Durante a faculdade, aprofundou-se em suas raízes e tornou-se redator publicitário, atuando hoje como Social Media e Copywriter, com experiência em gestão de marcas, criação de campanhas e desenvolvimento de estratégias digitais com foco em cultura e identidade.

Siga nas redes sociais

Veja também

The Core: Espaço, troca e presença em SP

Robyn transforma o desejo em Sexistential

Katy da voz e as abusadas: Ser travesti é o novo punk

Priscilla com 2l em final de reality show

Assista

No Instituto [SSEX BBOX] realizamos projetos e advocacy que visam destacar a diversidade, inclusão e a equidade sobre os temas de gênero, sexualidade, população LGBTQIAP+, raça, etnia e pessoas com deficiência.

As ações do Instituto incluem apresentar ferramentas, conteúdos educacionais, e soluções estratégicas visando o exercício do olhar interseccional para grupos sub-representados. Nossas atividades tiveram início em 2009, a partir de uma série de webdocumentários educacionais que exploram temas da sexualidade e gênero para promover mudanças sociais com base nos direitos humanos.

Nosso Contato

Newsletter [SSEX BBOX]

Copyright ©2026 Todos os direitos reservados | [SSEX BBOX]